Prefeitura de Santo André distribui livros nas escolas com conteúdo sexista e racista

Material desrespeita a lei 10.639/3, sobre o ensino da história afro-brasileira e indígena

Escrito por: CUT São Paulo • Última modificação: 15/06/2018 - 10:47 • Publicado em: 13/06/2018 - 17:46 Escrito por: CUT São Paulo Publicado em: 13/06/2018 - 17:46 Última modificação: 15/06/2018 - 10:47

Divulgação

As secretárias estaduais de Combate ao Racismo do PT-SP e da CUT-SP vêm a público, por meio desta nota, manifestar repúdio ao novo material didático escolar distribuído na rede municipal de ensino de Santo André, na Grande São Paulo, e exigem da gestão do prefeito Paulo Serra (PSDB) o recolhimento e análise imediata do material, com vistas a conferir se o respectivo atende com a base legal da Lei 10.639/03, sobre o ensino da história e cultura afro-brasileira, e o Plano Nacional de Educação no seu artigo 2°.
 
Nesta semana, o blog “De Olho nos Planos” noticiou que as escolas municipais de Santo André receberam kits para serem distribuídos aos estudantes, com camiseta e livros do projeto Coleção Ler Faz Bem, da editora Brasileirinho Educacional. Os professores apontam que a publicação, de uso obrigatório em sala de aula, traz conteúdos sexistas e reforça a ideia de que não há racismo no Brasil, utilizando, inclusive, uma fala do autor Gilberto Freyre fora de contexto. Além disso, a maioria (69%) dos personagens do livro são homens brancos, assim como os autores que assinam o material.
 
O embraquecimento de autores/as e pensadores negros da sala de aula faz parte das engrenagens que dão oxigênio para a manutenção do racismo e outros preconceitos, somos a maioria da população brasileira, fazemos parte de toda a historia deste país e queremos que nossa presença seja respeitada cada vez que a mesma for contada. Não vamos tolerar omissão ou práticas que invizibilizam a população afro-brasileira e, por isso, chamamos a atenção da sociedade para a necessidade urgente de discutirmos mais profundamente o racismo e toda e qualquer forma de discriminação, além da realização de atividades educativas e atos, sem perder de vista os processos e possíveis desdobramentos punitivos. 
 
Assim, as secretárias estaduais de Combate ao Racismo da CUT-SP e do PT-SP, com este ato,  se solidariza com todos que têm sofrido algum tipo de constrangimento e discriminação, seja o corpo docente, discente e o Fórum Municipal de Educação, que tem levantado os questionamentos e reafirma o compromisso com a promoção da igualdade étnico-racial, repudiando toda e qualquer manifestação de preconceito para com negras, negros, indígenas, e todos os grupos sociais historicamente discriminados neste país e no qual são vitimas da Secretária de Educação de Santo André.
 
Por uma pedagogia descolonizada!
Nada sobre nós sem nós.
 
Rosana Aparecida da Silva
Secretária Estadual de Combate ao Racismo – CUT-SP
 
Tiago Soares
Secretário Estadual de Combate ao Racismo – PT-SP
Título: Prefeitura de Santo André distribui livros nas escolas com conteúdo sexista e racista, Conteúdo: As secretárias estaduais de Combate ao Racismo do PT-SP e da CUT-SP vêm a público, por meio desta nota, manifestar repúdio ao novo material didático escolar distribuído na rede municipal de ensino de Santo André, na Grande São Paulo, e exigem da gestão do prefeito Paulo Serra (PSDB) o recolhimento e análise imediata do material, com vistas a conferir se o respectivo atende com a base legal da Lei 10.639/03, sobre o ensino da história e cultura afro-brasileira, e o Plano Nacional de Educação no seu artigo 2°.   Nesta semana, o blog “De Olho nos Planos” noticiou que as escolas municipais de Santo André receberam kits para serem distribuídos aos estudantes, com camiseta e livros do projeto Coleção Ler Faz Bem, da editora Brasileirinho Educacional. Os professores apontam que a publicação, de uso obrigatório em sala de aula, traz conteúdos sexistas e reforça a ideia de que não há racismo no Brasil, utilizando, inclusive, uma fala do autor Gilberto Freyre fora de contexto. Além disso, a maioria (69%) dos personagens do livro são homens brancos, assim como os autores que assinam o material.   O embraquecimento de autores/as e pensadores negros da sala de aula faz parte das engrenagens que dão oxigênio para a manutenção do racismo e outros preconceitos, somos a maioria da população brasileira, fazemos parte de toda a historia deste país e queremos que nossa presença seja respeitada cada vez que a mesma for contada. Não vamos tolerar omissão ou práticas que invizibilizam a população afro-brasileira e, por isso, chamamos a atenção da sociedade para a necessidade urgente de discutirmos mais profundamente o racismo e toda e qualquer forma de discriminação, além da realização de atividades educativas e atos, sem perder de vista os processos e possíveis desdobramentos punitivos.    Assim, as secretárias estaduais de Combate ao Racismo da CUT-SP e do PT-SP, com este ato,  se solidariza com todos que têm sofrido algum tipo de constrangimento e discriminação, seja o corpo docente, discente e o Fórum Municipal de Educação, que tem levantado os questionamentos e reafirma o compromisso com a promoção da igualdade étnico-racial, repudiando toda e qualquer manifestação de preconceito para com negras, negros, indígenas, e todos os grupos sociais historicamente discriminados neste país e no qual são vitimas da Secretária de Educação de Santo André.   Por uma pedagogia descolonizada! Nada sobre nós sem nós.   Rosana Aparecida da Silva Secretária Estadual de Combate ao Racismo – CUT-SP   Tiago Soares Secretário Estadual de Combate ao Racismo – PT-SP