O retrato do Brasil que a mídia não mostra

Desemprego na ocupação do ABC é o dobro da taxa da Região Metropolitana de SP, revela pesquisa CUT/Dieese

Escrito por: Andre Accarini - CUT Nacional • Última modificação: 05/12/2017 - 18:52 • Publicado em: 05/12/2017 - 10:43 Escrito por: Andre Accarini - CUT Nacional Publicado em: 05/12/2017 - 10:43 Última modificação: 05/12/2017 - 18:52

Roberto Parizotti/CUT

Taxa de desemprego de 41%, subemprego, baixos salários, baixa escolaridade, falta de dinheiro para pagar aluguel e muita vulnerabilidade social levaram mais de 12 mil famílias a ocupar um terreno em São Bernardo do Campo.

Esses dados constam da pesquisa Teto e Trabalho: perfil e características de trabalho e moradia das famílias da ocupação Povo Sem Medo, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioecômicos (DIEESE), apresentada nesta segunda-feira (4) na sede da CUT, em São Paulo. 

Segundo o Dieese, que mapeou as principais características das 12.123 famílias que ocupam o terreno do bairro Planalto, abandonado há mais de 40 anos em São Bernardo do Campo, a taxa de desemprego, se for considerada a População Economicamente Ativa de forma mais restrita, é de 41%, mais do que o dobro da taxa registrada na Região Metropolitana de SP. 

Entre os trabalhadores assalariados, 61,5% tinham carteira de trabalho assinada. Esse percentual é inferior ao regirado na RMSP, que representavam 88,2%, segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego Dieese/Seade. Estão contribuindo com o INSS para garantir a aposentadoria apenas 65,1% dos trabalhadores da ocupação.

Segundo a socióloga do DIEESE, Adriana Marcolino, uma das responsáveis pela pesquisa, os dados mostram que “quem está inserido, está em condições precárias de trabalho, baixos salários, condições vulneráveis e a renda não é suficiente para bancar alimentação, aluguel e as contas básicas de uma família”. 

Na avaliação da socióloga, “o desemprego, a queda de salário e aumento do custo de vida faz com que qualquer fragilidade coloque os trabalhadores e as trabalhadoras em situação de pobreza extrema”. 

E o perfil da ocupação em São Bernardo comprova essa análise. Das 33.883 pessoas que estão vivendo no local, 53,4% são mulheres, 46,6% são homens, e 1.608, das que têm mais de 4 anos, nunca haviam frequentado uma escola – dessas, 698 tinham mais de 15 anos. A média de idade das mais de 30 mil pessoas é de 31 a 50 anos (29,3%). 

Essas famílias pagavam aluguel de, em média, R$ 556,97. Cerca de 19% dessas famílias pagavam aluguel de até R$ 250,00; 23,8% pagavam aluguéis entre R$ 251,00 e R$ 500,00, e outras 19,3%, entre R$ 501,00 e R$ 750,00.  Isso sem contar os gastos com as taxas de serviços públicos como energia elétrica, água, gás de cozinha que veem aumentando seguidas vezes.

Segundo a pesquisa, 59,4% dos ocupantes foram para lá porque não conseguem mais pagar aluguel. Outros 22% moravam de favor. Além disso, 67,9% nunca conseguiram acessar programas habitacionais e veem no MTST um instrumento para conseguir dialogar com Estado, já que as políticas não chegam nelas. Dos moradores, 8,9% dizem acreditar que o caminho pra conquista da casa é a luta social.

O presidente da CUT São Paulo, Douglas Izzo, ressaltou que o país nunca teve uma política habitacional efetiva. “A terra aqui é trabalhada somente na lógica do lucro de uns poucos e não na sua função social. E essa política equivocada do governo Temer tende a aprofundar essa situação”, afirmou.

É por isso, disse o secretário-geral da CUT São Paulo, João Cayres, que o compromisso da Central é também a luta por políticas públicas efetivas que favoreçam a classe trabalhadora. Ele cita como exemplo o programa Minha Casa, Minha Vida, que após o golpe foi reduzido drasticamente para os trabalhadores de baixa renda.

A organizadora da ocupação, Andreia Barbosa, integrante do MTST, diz que as principais necessidades dessas pessoas são oportunidades de moradia, estudo e trabalho. Roberto Parizotti/CUTRoberto Parizotti/CUT

“Eles representam a luta de um país pelos direitos que vêm sendo atacados nos últimos tempos”, afirma a militante.  Ela lembrou também que a cada dia são vistas mais pessoas nos faróis, mais pedintes, moradores de rua, o que Andreia classifica como um retrato da realidade “deprimente” do brasileiro. “Ou come, ou compra remédio, ou paga aluguel”, completa a organizadora da ocupação. 

Além disso, esses brasileiros, trabalhadores e trabalhadoras sem teto, ainda “convivem com o preconceito, são criminalizados e discriminados”, diz o líder do MTST, Movimento dos Trabalhadores sem Teto, Guilherme Boulos. Ele relata que as pessoas são consideradas “vagabundas e oportunistas, mas os resultados da pesquisa mostram justamente o contrário: são trabalhadores, ex-metalúrgicos, da construção civil, que foram jogadas a essa realidade pela situação social”. 

E o preconceito chega ao extremo da intolerância, diz Boulos, referindo-se ao tiro disparado contra a ocupação por um dos moradores dos condomínios vizinhos.  Para Boulos, a ocupação é o retrato da crise social brasileira que jogou 14 milhões de pessoas ao desemprego logo que o golpista e ilegítimo Temer usurpou o mandato da presidenta Dilma, em 2016. 

E o estudo do Dieese na ocupação comprova essa afirmação. A maioria dos trabalhadores da ocupação ficou desempregada de um ano para cá, justamente o período do golpe. 

Título: O retrato do Brasil que a mídia não mostra, Conteúdo: Taxa de desemprego de 41%, subemprego, baixos salários, baixa escolaridade, falta de dinheiro para pagar aluguel e muita vulnerabilidade social levaram mais de 12 mil famílias a ocupar um terreno em São Bernardo do Campo. Esses dados constam da pesquisa Teto e Trabalho: perfil e características de trabalho e moradia das famílias da ocupação Povo Sem Medo, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioecômicos (DIEESE), apresentada nesta segunda-feira (4) na sede da CUT, em São Paulo.  Segundo o Dieese, que mapeou as principais características das 12.123 famílias que ocupam o terreno do bairro Planalto, abandonado há mais de 40 anos em São Bernardo do Campo, a taxa de desemprego, se for considerada a População Economicamente Ativa de forma mais restrita, é de 41%, mais do que o dobro da taxa registrada na Região Metropolitana de SP.  Entre os trabalhadores assalariados, 61,5% tinham carteira de trabalho assinada. Esse percentual é inferior ao regirado na RMSP, que representavam 88,2%, segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego Dieese/Seade. Estão contribuindo com o INSS para garantir a aposentadoria apenas 65,1% dos trabalhadores da ocupação. Segundo a socióloga do DIEESE, Adriana Marcolino, uma das responsáveis pela pesquisa, os dados mostram que “quem está inserido, está em condições precárias de trabalho, baixos salários, condições vulneráveis e a renda não é suficiente para bancar alimentação, aluguel e as contas básicas de uma família”.  Na avaliação da socióloga, “o desemprego, a queda de salário e aumento do custo de vida faz com que qualquer fragilidade coloque os trabalhadores e as trabalhadoras em situação de pobreza extrema”.  E o perfil da ocupação em São Bernardo comprova essa análise. Das 33.883 pessoas que estão vivendo no local, 53,4% são mulheres, 46,6% são homens, e 1.608, das que têm mais de 4 anos, nunca haviam frequentado uma escola – dessas, 698 tinham mais de 15 anos. A média de idade das mais de 30 mil pessoas é de 31 a 50 anos (29,3%).  Essas famílias pagavam aluguel de, em média, R$ 556,97. Cerca de 19% dessas famílias pagavam aluguel de até R$ 250,00; 23,8% pagavam aluguéis entre R$ 251,00 e R$ 500,00, e outras 19,3%, entre R$ 501,00 e R$ 750,00.  Isso sem contar os gastos com as taxas de serviços públicos como energia elétrica, água, gás de cozinha que veem aumentando seguidas vezes. Segundo a pesquisa, 59,4% dos ocupantes foram para lá porque não conseguem mais pagar aluguel. Outros 22% moravam de favor. Além disso, 67,9% nunca conseguiram acessar programas habitacionais e veem no MTST um instrumento para conseguir dialogar com Estado, já que as políticas não chegam nelas. Dos moradores, 8,9% dizem acreditar que o caminho pra conquista da casa é a luta social. O presidente da CUT São Paulo, Douglas Izzo, ressaltou que o país nunca teve uma política habitacional efetiva. “A terra aqui é trabalhada somente na lógica do lucro de uns poucos e não na sua função social. E essa política equivocada do governo Temer tende a aprofundar essa situação”, afirmou. É por isso, disse o secretário-geral da CUT São Paulo, João Cayres, que o compromisso da Central é também a luta por políticas públicas efetivas que favoreçam a classe trabalhadora. Ele cita como exemplo o programa Minha Casa, Minha Vida, que após o golpe foi reduzido drasticamente para os trabalhadores de baixa renda. A organizadora da ocupação, Andreia Barbosa, integrante do MTST, diz que as principais necessidades dessas pessoas são oportunidades de moradia, estudo e trabalho.  “Eles representam a luta de um país pelos direitos que vêm sendo atacados nos últimos tempos”, afirma a militante.  Ela lembrou também que a cada dia são vistas mais pessoas nos faróis, mais pedintes, moradores de rua, o que Andreia classifica como um retrato da realidade “deprimente” do brasileiro. “Ou come, ou compra remédio, ou paga aluguel”, completa a organizadora da ocupação.  Além disso, esses brasileiros, trabalhadores e trabalhadoras sem teto, ainda “convivem com o preconceito, são criminalizados e discriminados”, diz o líder do MTST, Movimento dos Trabalhadores sem Teto, Guilherme Boulos. Ele relata que as pessoas são consideradas “vagabundas e oportunistas, mas os resultados da pesquisa mostram justamente o contrário: são trabalhadores, ex-metalúrgicos, da construção civil, que foram jogadas a essa realidade pela situação social”.  E o preconceito chega ao extremo da intolerância, diz Boulos, referindo-se ao tiro disparado contra a ocupação por um dos moradores dos condomínios vizinhos.  Para Boulos, a ocupação é o retrato da crise social brasileira que jogou 14 milhões de pessoas ao desemprego logo que o golpista e ilegítimo Temer usurpou o mandato da presidenta Dilma, em 2016.  E o estudo do Dieese na ocupação comprova essa afirmação. A maioria dos trabalhadores da ocupação ficou desempregada de um ano para cá, justamente o período do golpe. 



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