Encontro de Bauru: 30 anos da luta por uma sociedade sem manicômios

Evento celebra os 30 anos da assinatura da carta Bauru

Escrito por: Sindicato dos Psicólogos de São Paulo • Publicado em: 06/12/2017 - 11:06 Escrito por: Sindicato dos Psicólogos de São Paulo Publicado em: 06/12/2017 - 11:06

Divulgação

Nos dias 8 e 9 de dezembro, sindicatos e conselhos de Psicologia se reunirão a integrantes dos movimentos organizados, pesquisadoras(es), estudantes e trabalhadores(as) da saúde mental no Encontro de Bauru: 30 anos de luta por uma sociedade sem manicômios, na Universidade Sagrado Coração, em Bauru, interior de São Paulo.

O evento, que vai celebrar os 30 anos da assinatura da carta Bauru, marca três décadas de luta por uma sociedade sem manicômios e da Psicologia assumindo o protagonismo das políticas de saúde mental no Brasil.

Como a lógica manicomial continua viva e presente, ainda mais em tempos de desmonte de políticas pública e do próprio SUS pelo governo Temer, a luta de Bauru se atualiza de diversas formas.

Durante dois dias, serão promovidas rodas de conversa, atividades culturais, feira da economia solidária e um ato público na noite do dia 8, na Praça Rui Barbosa, no Centro de Bauru.

Acompanhe nesta terça-feira, 5 de dezembro, às 19h, entrevista ao vivo do presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Rogério Giannini, no programa Seu Jornal, da TVT. Basta clicar aqui para ver online.

A carta

Em dezembro de 1987, trabalhadores da saúde mental reunidos em Bauru redigiram o manifesto que marcou o início da luta antimanicomial no Brasil e representou um marco no combate ao estigma e à exclusão de pessoas em sofrimento psíquico grave. Com o lema “Por uma sociedade sem manicômios", o congresso discutiu as formas de cuidado com os que apresentam sofrimento mental grave e representou um marco histórico do Movimento da Luta Antimanicomial, inaugurando nova trajetória da Reforma Psiquiátrica brasileira.

Os 350 trabalhadores de saúde mental presentes no congresso ocuparam as ruas da cidade e fizeram a primeira manifestação pública organizada no Brasil pela extinção dos manicômios, o chamado Manifesto de Bauru. Aquela atitude marcou uma ruptura, pois eles se recusaram a exercer o papel de agentes da exclusão e da violência institucionalizadas, “que desrespeitam os mínimos direitos da pessoa humana”.

O manifesto denunciava que o Estado que gerencia os serviços de saúde mental é o mesmo que impõe e sustenta os mecanismos de exploração e de produção social da loucura e da violência. “O compromisso estabelecido pela luta antimanicomial impõe uma aliança com o movimento popular e a classe trabalhadora organizada.”

O manicômio expressa uma estrutura presente nos diversos mecanismos de opressão da sociedade, como a opressão nas fábricas, nas instituições de adolescentes, nos cárceres, a discriminação contra negros, homossexuais, índios e mulheres, esclarece outro trecho do manifesto. “Lutar pelos direitos de cidadania dos doentes mentais significa incorporar-se à luta de todos os trabalhadores por seus direitos mínimos a saúde, justiça e melhores condições de vida.”

Conjuntura

Até o final dos anos 1980, o manicômio era o ápice de uma concepção que excluía, segregava e negava a cidadania de homens e mulheres condenados a uma espécie de morte em vida – ou à morte de fato – em decorrência de maus tratos e da violência dos eletrochoques e solitárias.

O movimento da luta antimanicomial combate a ideia de que pessoas com sofrimento mental devem ser isoladas em nome de pretensos tratamentos. Lembra que, como todo cidadão, elas têm direitos fundamentais à liberdade, a viver em sociedade e ao cuidado e tratamento, sem que precisem abrir mão da cidadania.

A luta antimanicomial congrega usuários, familiares e trabalhadores da saúde mental que acreditam na mudança do modelo de atenção às pessoas em sofrimento mental e buscam a desinstitucionalização, o combate à institucionalização involuntária, a convivência em sociedade e, principalmente, o respeito aos direitos humanos.

Diante da conjuntura social e política do país e refletindo sobre os recentes desafios e impasses das políticas de saúde mental, em particular com a expansão das chamadas comunidades terapêuticas, que acabam por reintroduzir a lógica manicomial na rede de atenção, as (os) profissionais da Psicologia precisam novamente se posicionar a favor de uma atenção à saúde mental antimanicomial.

Serviço
Encontro de Bauru: 30 anos de luta por uma sociedade sem manicômios
Data: 8 e 9 de dezembro de 2017
Locais:

Rodas de Conversas: USC (Universidade do Sagrado Coração):
R. Irmã Arminda, 10-50 – Jardim Brasil, Bauru – SP

Programação Cultural: Parque Vitória Régia:
Av. Nações Unidas, 25-25 – Jardim Brasil, Bauru – SP

Ato público: Praça Rui Barbosa: Centro, Bauru – SP

Título: Encontro de Bauru: 30 anos da luta por uma sociedade sem manicômios, Conteúdo: Nos dias 8 e 9 de dezembro, sindicatos e conselhos de Psicologia se reunirão a integrantes dos movimentos organizados, pesquisadoras(es), estudantes e trabalhadores(as) da saúde mental no Encontro de Bauru: 30 anos de luta por uma sociedade sem manicômios, na Universidade Sagrado Coração, em Bauru, interior de São Paulo. O evento, que vai celebrar os 30 anos da assinatura da carta Bauru, marca três décadas de luta por uma sociedade sem manicômios e da Psicologia assumindo o protagonismo das políticas de saúde mental no Brasil. Como a lógica manicomial continua viva e presente, ainda mais em tempos de desmonte de políticas pública e do próprio SUS pelo governo Temer, a luta de Bauru se atualiza de diversas formas. Durante dois dias, serão promovidas rodas de conversa, atividades culturais, feira da economia solidária e um ato público na noite do dia 8, na Praça Rui Barbosa, no Centro de Bauru. Acompanhe nesta terça-feira, 5 de dezembro, às 19h, entrevista ao vivo do presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Rogério Giannini, no programa Seu Jornal, da TVT. Basta clicar aqui para ver online. A carta Em dezembro de 1987, trabalhadores da saúde mental reunidos em Bauru redigiram o manifesto que marcou o início da luta antimanicomial no Brasil e representou um marco no combate ao estigma e à exclusão de pessoas em sofrimento psíquico grave. Com o lema “Por uma sociedade sem manicômios, o congresso discutiu as formas de cuidado com os que apresentam sofrimento mental grave e representou um marco histórico do Movimento da Luta Antimanicomial, inaugurando nova trajetória da Reforma Psiquiátrica brasileira. Os 350 trabalhadores de saúde mental presentes no congresso ocuparam as ruas da cidade e fizeram a primeira manifestação pública organizada no Brasil pela extinção dos manicômios, o chamado Manifesto de Bauru. Aquela atitude marcou uma ruptura, pois eles se recusaram a exercer o papel de agentes da exclusão e da violência institucionalizadas, “que desrespeitam os mínimos direitos da pessoa humana”. O manifesto denunciava que o Estado que gerencia os serviços de saúde mental é o mesmo que impõe e sustenta os mecanismos de exploração e de produção social da loucura e da violência. “O compromisso estabelecido pela luta antimanicomial impõe uma aliança com o movimento popular e a classe trabalhadora organizada.” O manicômio expressa uma estrutura presente nos diversos mecanismos de opressão da sociedade, como a opressão nas fábricas, nas instituições de adolescentes, nos cárceres, a discriminação contra negros, homossexuais, índios e mulheres, esclarece outro trecho do manifesto. “Lutar pelos direitos de cidadania dos doentes mentais significa incorporar-se à luta de todos os trabalhadores por seus direitos mínimos a saúde, justiça e melhores condições de vida.” Conjuntura Até o final dos anos 1980, o manicômio era o ápice de uma concepção que excluía, segregava e negava a cidadania de homens e mulheres condenados a uma espécie de morte em vida – ou à morte de fato – em decorrência de maus tratos e da violência dos eletrochoques e solitárias. O movimento da luta antimanicomial combate a ideia de que pessoas com sofrimento mental devem ser isoladas em nome de pretensos tratamentos. Lembra que, como todo cidadão, elas têm direitos fundamentais à liberdade, a viver em sociedade e ao cuidado e tratamento, sem que precisem abrir mão da cidadania. A luta antimanicomial congrega usuários, familiares e trabalhadores da saúde mental que acreditam na mudança do modelo de atenção às pessoas em sofrimento mental e buscam a desinstitucionalização, o combate à institucionalização involuntária, a convivência em sociedade e, principalmente, o respeito aos direitos humanos. Diante da conjuntura social e política do país e refletindo sobre os recentes desafios e impasses das políticas de saúde mental, em particular com a expansão das chamadas comunidades terapêuticas, que acabam por reintroduzir a lógica manicomial na rede de atenção, as (os) profissionais da Psicologia precisam novamente se posicionar a favor de uma atenção à saúde mental antimanicomial. Serviço Encontro de Bauru: 30 anos de luta por uma sociedade sem manicômios Data: 8 e 9 de dezembro de 2017 Locais: Rodas de Conversas: USC (Universidade do Sagrado Coração): R. Irmã Arminda, 10-50 – Jardim Brasil, Bauru – SP Programação Cultural: Parque Vitória Régia: Av. Nações Unidas, 25-25 – Jardim Brasil, Bauru – SP Ato público: Praça Rui Barbosa: Centro, Bauru – SP



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