Em São Paulo, mulheres na rua alertam golpistas: é só o começo

Ato no Dia Internacional de Luta da Mulher aponta reação diante de roubos como a reforma da Previdência

Escrito por: • Publicado em: 08/03/2017 - 21:00 Escrito por: Publicado em: 08/03/2017 - 21:00

Foto: Roberto ParizottiFoto: Roberto ParizottiO Centro de São Paulo parou na tarde deste Dia Internacional de Luta da Mulher para dizer aos golpistas que a resistência diante dos ataques a direitos trabalhistas e sociais vai ganhar tons ainda mais fortes a partir de agora.

Desde o início da tarde, organizações dos movimentos sindical, como a CUT, e sociais reuniram uma multidão de mulheres, estimadas em 60 mil pela organização do evento, que marcharam da Praça da Sé até a Praça da Repúbica.

No caminho encontraram profissionais do magistério que, em assembleia no vão livre do Masp, decidiram cruzar os braços no próximo dia 15 contra o roubo da aposentadoria proposta pelo governo ilegítimo de Michel Temer (PMDB).

Os profissionais da educação votaram também o repúdio à Reforma da Previdência e rejeitaram a apresentação de qualquer emenda ao projeto do governo.

Aos gritos de "nem recatada e nem do lar, a mulherada tá na rua pra lutar", manifestantes como Angelina Dias da Silva, que viajou de Campinas para participar dos protestos, demonstravam que a luta contra a Reforma da Previdência já chegou à boca do povo.

“A retirada de direitos pelo governo vai prejudicar mais os trabalhadores mais pobres e as mulheres, que tem três jornadas. Aquela que chega do trabalho, tem que cuidar dos filhos e tem serviço em casa”, falou.

Agora é o dia 15
Além da fundamental batalha pela igualdade de gênero, a autonomia sobre os corpos foi outro ponto presente na manifestação. Em tempos de retrocesso, esse é um eixo fundamental para combater a violência contra elas, apontou a Secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, Juneia Batista.

“As mulheres saíram às ruas do país pelo combate à violência de gênero, pela autonomia dos nossos corpos, pela legalização do aborto, mas, sobretudo, concluíram que a Previdência é muita cara, principalmente para as mulheres. Então, hoje gritamos reaja ou morra trabalhando. Esse foi um esquenta para o próximo dia 15”,disse.

Para a secretária de Mobilização e Relação com Movimentos Sociais da Central, Janeslei Albuquerque, a reação feminista será fundamental para vencer o que ela chama de segunda fase do golpe. “Estamos enfrentando a segunda fase ou a realidade concreta do golpe, que é o ataque brutal aos direitos da classe trabalhadora”, apontou.

A marcha seguiu até a sede da prefeitura de São Paulo, no Viaduto do Chá, aos gritos de ‘fora Dória’, prefeito ‘homenageado’ por acabar com a secretaria e as políticas públicas voltadas às mulheres.

Na visão da manifestante Isabela Riza, o dia não é de rosas e de celebração, mas de luta. “Essa é uma data de luta e lembrança de todas as mulheres que vieram antes de nós e de temas que ainda precisam ser trabalhados, como o parto humanizado e a descriminalização do aborto. A criminalização não impede que aconteça, apenas faz a mulher morrer”, diz.

Dirigente de base rural, a secretária de Formação da CUT, Rosane Bertotti, lembrou justamente das rurais, que terão de trabalhar cinco anos a mais, caso a reforma de Temer passe.

“As campesinas acordam muito cedo, labutam, tem tripla jornada e agora são vítimas de um desrespeito. Coisa de quem não sabe que no ambiente rural a gente começa a trabalhar muito mais cedo”, definiu.

Secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-SP, Ana Lúcia Firmino destacou que, além das medidas de Temer contra a classe trabalhadora, a população de São Paulo também precisa lutar contra as ações dos governos do PSDB no estado e município. “Temos de lembrar que estamos sob um governo estadual que, por mais de 20 anos, promove o desmonte de políticas públicas e, para completar, recentemente, o município agora faz o mesmo. São Paulo perdeu a Secretaria de Políticas para as Mulheres e a área da saúde está sendo completamente sucateada e tendo serviços terceirizados”, disse.

*Com acréscimos da Redação da CUT-SP
 
Confira reportagem na Rádio CUT, por André Accarini: 

Título: Em São Paulo, mulheres na rua alertam golpistas: é só o começo, Conteúdo: O Centro de São Paulo parou na tarde deste Dia Internacional de Luta da Mulher para dizer aos golpistas que a resistência diante dos ataques a direitos trabalhistas e sociais vai ganhar tons ainda mais fortes a partir de agora. Desde o início da tarde, organizações dos movimentos sindical, como a CUT, e sociais reuniram uma multidão de mulheres, estimadas em 60 mil pela organização do evento, que marcharam da Praça da Sé até a Praça da Repúbica. No caminho encontraram profissionais do magistério que, em assembleia no vão livre do Masp, decidiram cruzar os braços no próximo dia 15 contra o roubo da aposentadoria proposta pelo governo ilegítimo de Michel Temer (PMDB). Os profissionais da educação votaram também o repúdio à Reforma da Previdência e rejeitaram a apresentação de qualquer emenda ao projeto do governo. Aos gritos de "nem recatada e nem do lar, a mulherada tá na rua pra lutar", manifestantes como Angelina Dias da Silva, que viajou de Campinas para participar dos protestos, demonstravam que a luta contra a Reforma da Previdência já chegou à boca do povo. “A retirada de direitos pelo governo vai prejudicar mais os trabalhadores mais pobres e as mulheres, que tem três jornadas. Aquela que chega do trabalho, tem que cuidar dos filhos e tem serviço em casa”, falou. Agora é o dia 15 Além da fundamental batalha pela igualdade de gênero, a autonomia sobre os corpos foi outro ponto presente na manifestação. Em tempos de retrocesso, esse é um eixo fundamental para combater a violência contra elas, apontou a Secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, Juneia Batista. “As mulheres saíram às ruas do país pelo combate à violência de gênero, pela autonomia dos nossos corpos, pela legalização do aborto, mas, sobretudo, concluíram que a Previdência é muita cara, principalmente para as mulheres. Então, hoje gritamos reaja ou morra trabalhando. Esse foi um esquenta para o próximo dia 15”,disse. Para a secretária de Mobilização e Relação com Movimentos Sociais da Central, Janeslei Albuquerque, a reação feminista será fundamental para vencer o que ela chama de segunda fase do golpe. “Estamos enfrentando a segunda fase ou a realidade concreta do golpe, que é o ataque brutal aos direitos da classe trabalhadora”, apontou. A marcha seguiu até a sede da prefeitura de São Paulo, no Viaduto do Chá, aos gritos de ‘fora Dória’, prefeito ‘homenageado’ por acabar com a secretaria e as políticas públicas voltadas às mulheres. Na visão da manifestante Isabela Riza, o dia não é de rosas e de celebração, mas de luta. “Essa é uma data de luta e lembrança de todas as mulheres que vieram antes de nós e de temas que ainda precisam ser trabalhados, como o parto humanizado e a descriminalização do aborto. A criminalização não impede que aconteça, apenas faz a mulher morrer”, diz. Dirigente de base rural, a secretária de Formação da CUT, Rosane Bertotti, lembrou justamente das rurais, que terão de trabalhar cinco anos a mais, caso a reforma de Temer passe. “As campesinas acordam muito cedo, labutam, tem tripla jornada e agora são vítimas de um desrespeito. Coisa de quem não sabe que no ambiente rural a gente começa a trabalhar muito mais cedo”, definiu. Secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-SP, Ana Lúcia Firmino destacou que, além das medidas de Temer contra a classe trabalhadora, a população de São Paulo também precisa lutar contra as ações dos governos do PSDB no estado e município. “Temos de lembrar que estamos sob um governo estadual que, por mais de 20 anos, promove o desmonte de políticas públicas e, para completar, recentemente, o município agora faz o mesmo. São Paulo perdeu a Secretaria de Políticas para as Mulheres e a área da saúde está sendo completamente sucateada e tendo serviços terceirizados”, disse. *Com acréscimos da Redação da CUT-SP  Confira reportagem na Rádio CUT, por André Accarini: 



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