Centro para morador de rua ‘inaugurado’ em dezembro ficou três meses fechado

Denúncia sobre a inatividade do CTA de São Mateus foi feita no último sábado (10)

Escrito por: Luciano Velleda - RBA • Última modificação: 13/03/2018 - 12:12 • Publicado em: 13/03/2018 - 11:59 Escrito por: Luciano Velleda - RBA Publicado em: 13/03/2018 - 11:59 Última modificação: 13/03/2018 - 12:12

Leon Rodrigues/Secom Inaugurado por Doria em dezembro, CTA São Mateus ficou fechado por problemas elétricos e hidráulicos

Quase três meses depois de inaugurado oficialmente com a presença do prefeito João Doria (PSDB), o Centro Temporário de Acolhimento (CTA) para moradores em situação de rua, em São Mateus, zona leste paulistana, estava fechado até o último sábado (10). No dia 19 de dezembro, a prefeitura anunciou a inauguração do espaço, com capacidade para acolher 182 homens para pernoite, além de oferecer 50 vagas para atividades de convivência durante o dia. 

"O serviço será administrado pela Associação Comunitária São Mateus (Ascom), por meio de parceria com a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (Smads) e funcionará 24h por dia ofertando acolhimento, alimentação, participação em capacitações e encaminhamentos para outras políticas públicas, como o programa Trabalho Novo, que visa a inserção de pessoas em situação de rua no mercado de trabalho”, explicava, na ocasião, a prefeitura. 

Após receber denúncia de moradores da região de que um caminhão teria levado parte da mobília do CTA, o vereador Toninho Vespoli (Psol), acompanhado por Ricardo de Lima, do Conselho Municipal de Assistência Social de São Paulo (Comas), esteve vistoriando o local no sábado (10). 

“Foi isso que viemos verificar e realmente verificamos. Parte da mobília que está nas fotos (no site da prefeitura) já não está mais aí. Fico imaginando onde está essa mobília…Entramos lá e achamos meio estranho, tinha duas funcionárias, mas tava meio abandonado, sem gente entrando ou saindo, uma coisa meio parada”, disse o vereador paulistano, em vídeo publicado em rede social, instantes após a visita ao CTA. 

“Nas fotos no site da secretaria, mostram que na lavanderia já tinha toda uma 'linha branca' pra lavar e secar as roupas, na cozinha também, no lugar das camas tinha armários. Foi retirado tudo, só deixaram as camas e alguns computadores”, afirma Vespoli. “Linha branca” é como é chamado o conjunto de utensílios como máquinas de lavar, secar, geladeira, freezer e fogão. 

O vereador também questionou o contrato feito com a entidade que deve administrar o espaço, cuja validade é de seis meses, sendo que três já se passaram enquanto o CTA esteve fechado. “Metade do tempo se passou e não está tendo atendimento. No site da prefeitura diz que está tendo atendimento e não está. Pra mim isso é gravíssimo, é um jeito de enganar as pessoas”, critica Toninho Vespoli. 

“Verificamos que as fotos que constam no site, em relação ao que tem agora, está muito diferente. Consta que a lavanderia e a cozinha estavam estruturadas, mas nós não vimos geladeira, não vimos freezer, mesas e cadeiras que estão no site nós não vimos”, relata, também em vídeo, o conselheiro Ricardo de Lima. “Parte do que foi fotografado e está no site da prefeitura, a gente não encontra. É estarrecedor.”

Abriu

Poucas horas após o vereador publicar o vídeo denunciando a situação do CTA São Mateus, a Smads utilizou uma rede social para dar explicações. Segundo a secretaria, o local abriria as portas após ter passado por "dificuldades na parte elétrica e hidráulica”. 

"Dificuldades na ligação com a rede pública nas partes elétrica e hidráulica forçaram o adiamento da abertura de suas portas aos conviventes, a fim de garantir a segurança e integridade dos usuários. Após intervenção por parte da Eletropaulo e Sabesp, o equipamento será finalmente aberto hoje, para 25 pessoas com alimentação e pernoite, e à partir da próxima 2ª feira (19), com a totalidade de sua capacidade disponível, para o acolhimento de 182 pessoas”, afirma a secretaria.

Nos materiais de divulgação da prefeitura, no entanto, os problemas elétricos e hidráulicos do CTA São Mateus não se tornaram públicos. No dia 27 de fevereiro, quase dois meses depois da inauguração oficial do espaço, a prefeitura anunciou a abertura do CTA em Guaianases, também na Zona Leste da capital paulista. No texto são listados todos os outros 15 CTAs inaugurados pela atual gestão, sem qualquer menção de que o de São Mateus estava fechado. 

Questionado se a prefeitura faltou com a transparência no caso, o secretário de Assistência e Desenvolvimento Social, Filipe Sabará,  disse não concordar. “O serviço está lá. A matéria no site é sobre a inauguração do prédio”, afirma. Segundo ele, o vereador Toninho Vespoli poderia ter feito um telefonema e a explicação dos problemas elétricos e hidráulicos seria dada. “A transparência é sempre total.”

Sabará explica que os equipamentos que compõem a chamada “linha branca” foram transferidos para o CTA Parque Novo Mundo, inaugurado dois dias depois, no mesmo dia da inauguração do CTA São Mateus. O secretário ainda disse que a organização responsável pelo gerenciamento do espaço não recebeu recursos durante os meses em que o prédio esteve fechado. De acordo com Sabará, a prefeitura avalia fazer o pagamento do treinamento dos funcionários, que teria sido realizado. 

No final da tarde desta segunda-feira (12), Vespoli e o conselheiro Ricardo de Lima voltaram ao local, que estava ainda sem usuários. 

Título: Centro para morador de rua ‘inaugurado’ em dezembro ficou três meses fechado, Conteúdo: Quase três meses depois de inaugurado oficialmente com a presença do prefeito João Doria (PSDB), o Centro Temporário de Acolhimento (CTA) para moradores em situação de rua, em São Mateus, zona leste paulistana, estava fechado até o último sábado (10). No dia 19 de dezembro, a prefeitura anunciou a inauguração do espaço, com capacidade para acolher 182 homens para pernoite, além de oferecer 50 vagas para atividades de convivência durante o dia.  O serviço será administrado pela Associação Comunitária São Mateus (Ascom), por meio de parceria com a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (Smads) e funcionará 24h por dia ofertando acolhimento, alimentação, participação em capacitações e encaminhamentos para outras políticas públicas, como o programa Trabalho Novo, que visa a inserção de pessoas em situação de rua no mercado de trabalho”, explicava, na ocasião, a prefeitura.  Após receber denúncia de moradores da região de que um caminhão teria levado parte da mobília do CTA, o vereador Toninho Vespoli (Psol), acompanhado por Ricardo de Lima, do Conselho Municipal de Assistência Social de São Paulo (Comas), esteve vistoriando o local no sábado (10).  “Foi isso que viemos verificar e realmente verificamos. Parte da mobília que está nas fotos (no site da prefeitura) já não está mais aí. Fico imaginando onde está essa mobília…Entramos lá e achamos meio estranho, tinha duas funcionárias, mas tava meio abandonado, sem gente entrando ou saindo, uma coisa meio parada”, disse o vereador paulistano, em vídeo publicado em rede social, instantes após a visita ao CTA.  “Nas fotos no site da secretaria, mostram que na lavanderia já tinha toda uma linha branca pra lavar e secar as roupas, na cozinha também, no lugar das camas tinha armários. Foi retirado tudo, só deixaram as camas e alguns computadores”, afirma Vespoli. “Linha branca” é como é chamado o conjunto de utensílios como máquinas de lavar, secar, geladeira, freezer e fogão.  O vereador também questionou o contrato feito com a entidade que deve administrar o espaço, cuja validade é de seis meses, sendo que três já se passaram enquanto o CTA esteve fechado. “Metade do tempo se passou e não está tendo atendimento. No site da prefeitura diz que está tendo atendimento e não está. Pra mim isso é gravíssimo, é um jeito de enganar as pessoas”, critica Toninho Vespoli.  “Verificamos que as fotos que constam no site, em relação ao que tem agora, está muito diferente. Consta que a lavanderia e a cozinha estavam estruturadas, mas nós não vimos geladeira, não vimos freezer, mesas e cadeiras que estão no site nós não vimos”, relata, também em vídeo, o conselheiro Ricardo de Lima. “Parte do que foi fotografado e está no site da prefeitura, a gente não encontra. É estarrecedor.” Abriu Poucas horas após o vereador publicar o vídeo denunciando a situação do CTA São Mateus, a Smads utilizou uma rede social para dar explicações. Segundo a secretaria, o local abriria as portas após ter passado por dificuldades na parte elétrica e hidráulica”.  Dificuldades na ligação com a rede pública nas partes elétrica e hidráulica forçaram o adiamento da abertura de suas portas aos conviventes, a fim de garantir a segurança e integridade dos usuários. Após intervenção por parte da Eletropaulo e Sabesp, o equipamento será finalmente aberto hoje, para 25 pessoas com alimentação e pernoite, e à partir da próxima 2ª feira (19), com a totalidade de sua capacidade disponível, para o acolhimento de 182 pessoas”, afirma a secretaria. Nos materiais de divulgação da prefeitura, no entanto, os problemas elétricos e hidráulicos do CTA São Mateus não se tornaram públicos. No dia 27 de fevereiro, quase dois meses depois da inauguração oficial do espaço, a prefeitura anunciou a abertura do CTA em Guaianases, também na Zona Leste da capital paulista. No texto são listados todos os outros 15 CTAs inaugurados pela atual gestão, sem qualquer menção de que o de São Mateus estava fechado.  Questionado se a prefeitura faltou com a transparência no caso, o secretário de Assistência e Desenvolvimento Social, Filipe Sabará,  disse não concordar. “O serviço está lá. A matéria no site é sobre a inauguração do prédio”, afirma. Segundo ele, o vereador Toninho Vespoli poderia ter feito um telefonema e a explicação dos problemas elétricos e hidráulicos seria dada. “A transparência é sempre total.” Sabará explica que os equipamentos que compõem a chamada “linha branca” foram transferidos para o CTA Parque Novo Mundo, inaugurado dois dias depois, no mesmo dia da inauguração do CTA São Mateus. O secretário ainda disse que a organização responsável pelo gerenciamento do espaço não recebeu recursos durante os meses em que o prédio esteve fechado. De acordo com Sabará, a prefeitura avalia fazer o pagamento do treinamento dos funcionários, que teria sido realizado.  No final da tarde desta segunda-feira (12), Vespoli e o conselheiro Ricardo de Lima voltaram ao local, que estava ainda sem usuários.