Boff: Papa condena golpe no Brasil, mas Igreja se calou ante Estado de exceção

Teólogo participa do programa "Entre Vistas", da TVT, nesta terça (6)

Escrito por: Redação RBA • Publicado em: 06/02/2018 - 15:42 Escrito por: Redação RBA Publicado em: 06/02/2018 - 15:42

Arquivo EBC Boff diz que o papa Francisco não virá mais ao Brasil enquanto Temer for presidente

O teólogo e escritor Leonardo Boff é o convidado desta terça-feira (6) do programa Entre Vistasapresentado pelo jornalista Juca Kfouri, na TVT, às 21h – canal digital 44.1, e também pelo Youtube e Facebook. Em quase uma hora de programa, o frei que foi um dos mentores da Teologia da Libertação no Brasil discorre sobre o papel da Igreja Católica no contexto político e social do país, e sobre a posição do Papa Francisco diante do impeachment de Dilma Rousseff, em 2016.

“Os padres perderam sua capacidade ‘profética’. Hoje temos uma Igreja enfraquecida, dividida, com alguma posição diante da Amazônia e da Previdência, mas que se calou diante da reforma trabalhista e do Estado de exceção que persegue. É uma Igreja adaptada à situação”, criticou.

Boff elogia, porém, a conduta do Papa Francisco e sua atitude de não apenas “dar discurso” para os pobres, mas sim ir ao encontro deles, estar onde eles estão. E fez uma revelação: “A Dilma pode não falar, mas o Papa enviou uma carta de apoio durante o impeachment. Enquanto houver esse governo, ele não virá ao Brasil. Veio uma vez porque é um grande devoto de Nossa Senhora Aparecida, mas não recebeu o Temer. Ele é um homem de princípios”.

Durante a entrevista, o teólogo foi contundente ao analisar o impeachment de Dilma Rousseff e o golpe em curso no Brasil. “Os bilionários do país foram os que deram o golpe, porque se deram conta que as políticas sociais do Lula iriam se consolidar”, afirmou. Para ele, a verdade e a justiça em algum momento prevalecerão. “O que nos faltou foi uma Bastilha”, ponderou, se referindo à revolta que pôs fim a monarquia da França em 1789. “A casa-grande continua com a mesma lógica, paga um salário como se fosse esmola.”

No programa, gravado nesta segunda-feira (5), no Café do Sindicato dos Bancários, no Edifício Martinelli, centro de São Paulo, Leonardo Boff defende um melhor diálogo com os grupos evangélicos dispostos a enfrentar as injustiças do Brasil, e não descartou o surgimento de um movimento de “desobediência civil” no país. “Objetivamente seria uma sublevação, mas não basta o desejo, tem de haver condições de fazer isso. Acho que eles (o governo de Michel Temer) estão esticando o barbante demais.”

Além do jornalista Juca Kfouri, o Entre Vistas que vai ao ar nesta terça conta com a participação de Adriana Magalhães, secretária de comunicação da CUT-SP, Alexandre Conceição, membro da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), e Edin Abumanssur, orientador do programa de pós-graduação em Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). 

Título: Boff: Papa condena golpe no Brasil, mas Igreja se calou ante Estado de exceção, Conteúdo: O teólogo e escritor Leonardo Boff é o convidado desta terça-feira (6) do programa Entre Vistas, apresentado pelo jornalista Juca Kfouri, na TVT, às 21h – canal digital 44.1, e também pelo Youtube e Facebook. Em quase uma hora de programa, o frei que foi um dos mentores da Teologia da Libertação no Brasil discorre sobre o papel da Igreja Católica no contexto político e social do país, e sobre a posição do Papa Francisco diante do impeachment de Dilma Rousseff, em 2016. “Os padres perderam sua capacidade ‘profética’. Hoje temos uma Igreja enfraquecida, dividida, com alguma posição diante da Amazônia e da Previdência, mas que se calou diante da reforma trabalhista e do Estado de exceção que persegue. É uma Igreja adaptada à situação”, criticou. Boff elogia, porém, a conduta do Papa Francisco e sua atitude de não apenas “dar discurso” para os pobres, mas sim ir ao encontro deles, estar onde eles estão. E fez uma revelação: “A Dilma pode não falar, mas o Papa enviou uma carta de apoio durante o impeachment. Enquanto houver esse governo, ele não virá ao Brasil. Veio uma vez porque é um grande devoto de Nossa Senhora Aparecida, mas não recebeu o Temer. Ele é um homem de princípios”. Durante a entrevista, o teólogo foi contundente ao analisar o impeachment de Dilma Rousseff e o golpe em curso no Brasil. “Os bilionários do país foram os que deram o golpe, porque se deram conta que as políticas sociais do Lula iriam se consolidar”, afirmou. Para ele, a verdade e a justiça em algum momento prevalecerão. “O que nos faltou foi uma Bastilha”, ponderou, se referindo à revolta que pôs fim a monarquia da França em 1789. “A casa-grande continua com a mesma lógica, paga um salário como se fosse esmola.” No programa, gravado nesta segunda-feira (5), no Café do Sindicato dos Bancários, no Edifício Martinelli, centro de São Paulo, Leonardo Boff defende um melhor diálogo com os grupos evangélicos dispostos a enfrentar as injustiças do Brasil, e não descartou o surgimento de um movimento de “desobediência civil” no país. “Objetivamente seria uma sublevação, mas não basta o desejo, tem de haver condições de fazer isso. Acho que eles (o governo de Michel Temer) estão esticando o barbante demais.” Além do jornalista Juca Kfouri, o Entre Vistas que vai ao ar nesta terça conta com a participação de Adriana Magalhães, secretária de comunicação da CUT-SP, Alexandre Conceição, membro da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), e Edin Abumanssur, orientador do programa de pós-graduação em Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). 



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