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Proporção de panes no Metrô paulista é maior em linha privada

05/01/2017

Apensar de ser mais nova e curta, ter menos trens e estações e transportar menos gente, a Linha 4-Amarela tem um número de panes mais significativo

Escrito por: Rodrigo Gomes - RBA

No momento em que o governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), se prepara para conceder duas linhas do Metrô à iniciativa privada, dados sobre panes no sistema nos últimos cinco anos indicam que o modelo da privatização não apresenta melhores resultados em relação às linhas estatais. A Linha 4-Amarela (Luz-Butantã), operada pelo consórcio ViaQuatro, apresenta mais problemas graves, em termos relativos, com lentidão ou interrupção do serviço, do que as quatro linhas operadas pela empresa estatal, apesar de ser menor, mais nova e ter menos trens rodando.

Segundo dados divulgados pelo site UOL, por meio da Lei de Acesso à Informação, foram 446 falhas em todo o sistema, desde 2012. Em termos nominais, as Linhas 1-Azul (Jabaquara-Tucuruvi), 2-Verde (Vila Madalena-Vila Prudente) e 3-Vermelha (Corinthians/Itaquera-Palmeiras/Barra Funda) sofreram mais panes do que a Linha 4-Amarela. Só a Linha 5-Lilás – que Alckmin pretende conceder – tem menor número total de panes do que a privada.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mas quando se considera a idade, a extensão das linhas, o volume de passageiros transportados e o número de trens em operação, a situação se inverte. A Linha 4-Amarela teve suas duas primeiras estações inauguradas há seis anos. O trajeto atual conta com 14 trens operando em sete estações e 12,8 quilômetros de trajeto. O trecho atende cerca de 700 mil pessoas por dia. A linha tem uma média de 16 panes graves por ano.

A Linha 1-Azul, inaugurada em 1974, transporta 1,12 milhão de pessoas por dia, em 20,4 quilômetros de trilhos. São 23 estações atendidas por 40 trens. Sofre 23 panes graves por ano, em média. Aberta em 1991, a Linha 2-Verde atende cerca de 500 mil pessoas por dia, com 22 trens em 14,7 quilômetros – com ocorrência 18 panes graves por ano, em média.

Inaugurada em 2002, a Linha 5-Lilás tem 9,6 quilômetros de extensão, sete estações e oito trens em operação, para transporte de 213 mil pessoas por dia. Sofre quatro panes graves por ano, em média. A pior situação é a da Linha 3-Vermelha, que tem 37 anos. Seus 40 trens operam em 22 quilômetros de via, transportando 1,16 milhão de pessoas, diariamente. A média é de 27 panes graves por ano.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para o diretor do Sindicato dos Metroviários de São Paulo Alex Santana, a situação demonstra que a privatização não resolve os problemas Metrô. “A Linha 4 busca lucro. Qualidade no atendimento da população é secundário. Tem menos funcionários, inclusive na manutenção. Quando tiver 40 anos, como será? Se hoje, com seis anos de operação, tem proporcionalmente mais falhas que o sistema de 40 anos”, ponderou.

Santana criticou o modelo de concessão do governo Alckmin, que garante o lucro da empresa mesmo que não haja o número de passageiros previsto, além de priorizar o Consórcio ViaQuatro no repasse de verbas da Câmara de Compensação, que remunera o serviço prestado por todas as linhas. Desde 2011, a ViaQuatro recebeu R$ 1,1 bilhão que devia ter sido destinado ao Metrô estatal, para garantir a remuneração por demanda de passageiros prevista em contrato, afetada pelos constantes atrasos nas obras.

“Resumindo, enquanto com o pouco investimento que as linhas estatais têm, ainda se prioriza a qualidade, com todo o dinheiro que a Linha 4-Amarela recebe do Estado ela prioriza lucro. Se todo o dinheiro desviado e repassado pra ViaQuatro fosse pra investimento no sistema estatal, poderíamos ter mais linhas e menos problemas”, defendeu Santana.

O governo Alckmin, no entanto, caminha em sentido inverso. Além da Linha 4-Amarela, estão em processo de concessão as linhas 5-Lilás e 17-Ouro (Morumbi-Congonhas), além da Linha 6-Laranja (Brasilândia-São Joaquim), que está sendo construída no mesmo modelo da Linha 4. As linhas 9-Esmeralda (Grajaú-Osasco) e 8-Diamente (Júlio Prestes-Itapevi), da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), deve ter o mesmo destino.
 

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