A Xenofobia, os meios de comunicação e os supostos formadores de opinião

01/06/2017 - 00:00

 “Sou mulher firme e de cabeça erguida. O cara usou a palavra Deputada destacando ‘puta’? Não sou. Mas conheço muitas que podem lhe ensinar ética e respeito”. (Deputada e Ex-Ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário)

No último período vimos crescer, em todos os espaços da sociedade, a xenofobia e o machismo no Brasil. A que se deve tal crescimento? Primeiro, é necessário perceber o momento em que vivemos para, assim, podermos resgatar o que resta da democracia e o seu papel na construção da cidadania.

A luta por liberdades está no centro da luta por democracia.

A democracia pressupõe o respeito às liberdades e em especial, o respeito ao outro, independentemente de classe social, gênero, raça, geração, religião, origem. No entanto, o que ressurge com força neste momento, nega tudo pelo que lutamos e acreditamos. A fúria e a intolerância que acomete a sociedade em relação aos diferentes, em especial as mulheres, têm tomado dimensões de caráter fascista, e o pior, com a participação dos principais meios de comunicação que vem sendo seu grande potencializador.

É para isso que servem os meios de comunicação? Têm o papel de impulsionar a intolerância, xenofobia, machismo, racismo? O que temos acompanhado nos meios de comunicação beira a insanidade quase coletiva. Os principais canais de TV, os quais vale ressaltar, se beneficiam de uma concessão pública, colocam como seus supostos formadores de opinião, pessoas sem nenhuma qualidade ou compromisso com a sociedade para falar o que bem entenderem. Esses “falsos comunicadores” presentes nas mais variadas áreas de atuação, jornalistas, humoristas ou apresentadores, usam dos espaços em que atuam para expor à vontade os seus preconceitos e incentivar o que há de pior, contra pessoas que lhes contrariam.

Fatos recentes nos revelam atos repugnantes de um “falso humorista” que dispõe de um programa de TV para divulgar o seu fascismo, machismo, lgbttfobia e xenofobia. Esse sujeito tem travado verdadeiras investidas contra as mulheres tendo como uma de suas vítimas a Deputada Maria do Rosário, que tem respeitada atuação na defesa dos direitos humanos. 

Tais fatos nos exige atitude coletiva. Aos homens verdadeiros, os convidamos a atuar em defesa das mulheres e denunciar investidas como essa, que visam inibir a atuação das mulheres por direitos. Atitudes como a exibida pelo tal humorista, que dissemina ódio e intolerância precisam ser denunciadas junto a sociedade e aos órgãos competentes para tomada de decisão e punição, bem como junto ao canal de TV com exigência da sua demissão sumária.

A democracia não pode ser confundida com o direito de poucos exalarem o seu fascismo. 

 

Juneia Batista                                                                                               Vagner Freitas

Secretária Nacional da Mulher Trabalhadora da CUT                                     Presidente da CUT