Hospital Ipiranga usa garrafa pet para coletar urina de paciente

14/11/2017 - 19:07

Paciente denuncia situação e trabalhadores (as) confirmam falta de materiais

Não é de hoje que saúde pública de São Paulo vem passando por dificuldades. Nesta terça-feira (14) diversos sites noticiaram que a enfermagem do Hospital Ipiranga está utilizando garrafas pet para coletar urina de pacientes internados. Um paciente da unidade recentemente divulgou uma foto da garrafa que a enfermeira o entregou para coletar a urina.

A equipe de comunicação do SindSaúde-SP entrou em contato com a direção regional do sindicato e com trabalhadores (as) da unidade para verificar se há falta de materiais no Hospital. De acordo com Janaina Luna, diretora regional do sindicato o problema é recorrente. “Conversando com os trabalhadores (as) constatei que existe falta de fralda, avental cirúrgico descartável, saco coletor de urina, bisturi 15 e 22, máscara, toca e luva cirúrgica, inalador, umidificador e até copo descartável”.

De acordo com relato de Janaina alguns medicamentos também estiveram em falta no hospital. “Nos informaram sobre a fata de Zofran, rocefim, buscopan, entre outros. O que vem acontecendo no estado de São Paulo é o sucateamento da saúde pública. O governo Alckmin não valoriza os servidores e quer terceirizar a saúde pública estadual. A divulgação desse caso deve servir como alerta para a diretoria [do hospital] intervir a respeito de vários problemas, como a superlotação de pacientes, macas no corredor, falta de monitores, e macas quebradas”. A diretora sindical afirma que a situação é preocupante. “Falta kit para inaladores, antibióticos e materiais cirúrgicos, depois vários anos de PS (Pronto Socorro) eu nunca havia presenciado essa situação, lamentável”, declarou.

Recentemente o governador enviou à Assembleia Legislativa (Alesp) um projeto de lei PL 920/2017, que prevê a limitação das despesas primárias por dois anos, o que significa, em outras palavras, limitar os investimentos em saúde, educação e demais serviços, prejudicando toda a população de São Paulo, em especial os mais pobres que dependem da rede de serviços públicos. Rechaçado pelos servidores públicos, o projeto caso aprovado irá prejudicar ainda mais a saúde pública.