Juventude se mobiliza para impedir injustiça contra manifestantes

13/09/2017 - 10:54

Julgamento dos 18 participantes de ato contra Temer está marcado para o dia 22; Caso teve infiltrado do Exército

No próximo dia 22 de setembro, haverá uma audiência de julgamento dos 18 jovens que foram presos no ano passado, no Centro Cultural Vergueiro, por tentarem participar de uma manifestação contra o presidente ilegítimo Michel Temer (PMDB). A prisão ocorreu com a ajuda de um oficial de inteligência do Exército, que esteve infiltrado no grupo, conquistou a simpatia deles e os levou para onde a Polícia os esperava.
 
Para impedir que injustiça seja cometida, uma agenda de mobilizações foi construída para alertar a sociedade sobre a ameaça ao Estado Democrático de Direito.
 
Na quarta-feira (13), às 19h, será feita uma reunião aberta na Câmara Municipal de São Paulo para a construção de um grupo de solidariedade aos jovens. Já na sexta, dia 15, também na Câmara, haverá um encontro com o Conselho Estadual de Direitos da Pessoa Humana (Condep-SP). Outras atividades serão divulgadas ao longo do mês e na página do Facebook (clique aqui).
 
Os jovens foram acusados pelo Ministério Público Estadual (MPE) de associação criminosa e corrupção de menores. Na denúncia, o promotor justifica sua acusação por ter sido apreendido com o grupo frascos de vinagre, materiais de primeiros socorros, um disco de metal e uma câmera fotográfica. Uma barra de ferro também consta na relação, mas os jovens afirmam que o material foi “plantado” por policiais. 
 
Na ocasião, muitos organismos internacionais, movimentos sociais e sindical, como a CUT, repudiaram a tentativa de criminalização dos atos e do cerceamento ao direito à livre manifestação pela Justiça de São Paulo, que acatou a denúncia do MPE.
 
Secretária de Juventude da CUT-SP, Cibele Vieira inclui o episódio em mais um caso de perseguição política no Brasil, já que há tratamentos diferentes em atos pró e contra a democracia. “É um absurdo ver que num Estado, teoricamente, Democrático de Direito, algumas pessoas quando vão à manifestação têm até catraca do Metrô liberada para facilitar o acesso, enquanto outras, como no caso desses jovens, que nem sequer conseguiram chegar ao ato, são presos em uma mega operação.” 
 
Cibele também critica as supostas provas que os acusadores tentam vincular aos jovens. “Eles estavam com materiais de primeiros socorros, pois a gente sabe que, às vezes, em atos ocorre violência policial. Eram materiais para proteção. Tanto que eles foram liberados porque a prisão foi considerada ilegal”, finaliza a dirigente.