Juventude da CUT marca presença em encontro nacional da Ubes

11/09/2017 - 17:17

Sindicalistas debateram gênero, luta feminista e desemprego entre jovens

Durante três dias, na cidade de São Paulo, a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) realizou seu 16º Conselho Nacional de Entidades Gerais (Coneg). A atividade organizada na Faculdade Zumbi dos Palmares terminou no último sábado (9).

A juventude CUTista participou do evento que reuniu 500 estudantes secundaristas de todo o país, incluindo alunos dos ensinos fundamental, médio, técnico, profissionalizante e de cursos pré-vestibulares.

Secretária de Juventude da CUT São Paulo, Cibele Vieira, lembra que entre as resoluções aprovadas, os secundaristas reforçam a resistência diante de propostas como a reforma do ensino médio e a Escola Sem Partido. Eles também aprovaram a continuidade da luta contra o atual governo ilegítimo de Michel Temer (PMDB), construída nas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo. "Com a aprovação dessas resoluções, os secundaristas demonstram a importância de unirmos forças contra a ofensiva conservadora", afirma a sindicalista. 

Debates temáticos

Os estudantes realizaram, ao longo dos três dias, encontros para refletir sobre temas específicos como grêmios estudantis, diversidade, questão racial e gênero. Este último ocorreu durante o 4º Encontro de Mulheres Estudantes.

Representando mulheres e a juventude CUTista, Luba Melo, do Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (Sindsep-SP), relatou as experiências do movimento sindical e apontou também para a necessidade de unidade entre os movimentos.

“Estamos vivendo um dos piores momentos políticos com manobras permanentes para silenciar e criminalizar os movimentos de resistência. É uma conjuntura terrível de desmontes das políticas públicas e de retirada dos direitos da população. E os sujeitos historicamente mais vulneráveis são os que mais vão sofrer com esse processo, como as mulheres, a população LGBT, os negros e periféricos. Somente com unidade entre movimento sindical, estudantes e movimentos sociais é que conseguiremos reverter esse jogo”, defende Luba.

DesempregoNa foto, o dirigente CUtista Marsaioli é o terceiro da direita para a esquerda - Foto: Paulo Ricardo | UMES – PRNa foto, o dirigente CUtista Marsaioli é o terceiro da direita para a esquerda - Foto: Paulo Ricardo | UMES – PR

A falta de emprego entre jovens foi outro tema em evidência, que contou com a participação do coordenador da Regional Campinas do Sindicato Unificado dos Petroleiros (Sindipetro-SP), Gustavo Marsaioli, também representando a juventude da CUT.

A taxa de desemprego geral no Brasil é de 13%, segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre os jovens de 18 e 24 anos, a taxa é de 27,3%. Já no estado de São Paulo, o desemprego nesta faixa etária chega a 29,1%, maior do que a média nacional.

“O desemprego entre os jovens é historicamente maior, mas quando o recorte se dá pelo gênero ou raça, isso é ainda pior. A minha geração, nascida entre 1980 e 1990, passou por vários cenários, mas tivemos a oportunidade de viver num Brasil com amplo acesso às políticas públicas, num momento em que a taxa de desemprego chegou a diminuir. Demoramos 13 anos para criar uma política de geração de emprego e, em apenas dois anos, com o golpe em curso, voltamos ao cenário de 15 anos atrás”, lamenta o dirigente sindical.

Mesmo nesta conjuntura de crise, Marsaioli apontou como aspecto positivo resultados da pesquisa "O jovem brasileiro e o futuro do país", realizada pela PUC do Rio Grande do Sul, em setembro de 2016.

O estudo, organizado pelo Núcleo de Pesquisa do Espaço Experiência, demonstra que os jovens entrevistados não têm apenas interesse em suas próprias áreas de atuação, mas em assuntos como política. Ainda, aponta que o ambiente da internet é o mais acessado entre este público.

“Este desejo de entender a política apresenta um cenário fértil para organizar a juventude, mas existe um desafio muito grande em como organizá-la, dado um cenário de maior informalidade e de maior desemprego”, concluiu Marsaioli.

Confira também reportagem da TVT: