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Mídia joga a favor da privatização da saúde

04/04/2017

Ativistas debatem saúde e comunicação para a disputa de projeto político de país

Escrito por: Vanessa Ramos - CUT São Paulo

Fotos: Secom/CUT-SPNesta terça-feira (4), ativistas, estudantes, pesquisadores, sindicalistas e coletivos realizaram a Conferência Livre de Comunicação e Saúde, na Faculdade de Saúde da Universidade de São Paulo (FSP-USP), no centro da capital paulista. Em debate, a construção do Sistema Único de Saúde (SUS), o desmonte do setor e a comunicação como ferramenta para a disputa de projeto político.

A jornalista Conceição Lemes, do blog Viomundo, destacou que a grande mídia não constrói narrativas em defesa do SUS por interesses privatistas. “Agem não apenas por uma questão ideológica, mas respondem a quem a financia economicamente. Mas, agora, é momento de aproveitarmos a tragédia que se avizinha para explicar para a sociedade o que de fato é o SUS”.

Os profissionais da comunicação terão, na avaliação de Conceição, que inovar nas narrativas e, avalia, os profissionais da saúde terão que aprofundar o trabalho nas bases. 

Para a coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, Renata Mielli, há uma opção explícita dos meios de comunicação pela saúde privada.

“A luta do movimento de saúde pelo fortalecimento do SUS não é nova, mas a mídia nunca deu visibilidade a esses movimentos. Recolhemos 2,2 milhões de assinaturas para garantir 10% dos recursos da União para a saúde, um dos únicos projetos de lei de iniciativa popular que de fato conseguiu abrir discussão no Congresso por conta da mobilização popular. Só que isso é invisibilizado, uma mobilização que mostra a sociedade interessada num SUS melhor. Enquanto esse governo vai na contramão e propõe congelar gastos públicos em saúde por 20 anos”, criticou.

A psicóloga Lumena Furtado, do Instituto Silvia Lane, acredita ser necessário assumir coletivamente a disputa de narrativa, saber quem deve ser o alvo desta disputa e como promover a comunicação.

“Precisamos explicar o que é saúde, porque ela é vendida como um consumo de consultas e exames, mostrar por que ela é colocada como bem individual e não coletivo? Há um jogo econômico que diz que o ‘privado’ é sempre bom. Ou seja, há uma ideia que na verdade representa o oposto da nossa realidade”, diz Lumena, que foi também secretária da Secretaria de Atenção à Saúde (SAS) do Ministério da Saúde.

A jornalista Cláudia Malinverni, doutora da FSP-USP, também exemplificou o papel da mídia. “A imagem do SUS é construída como local de mazela e de pobreza. Focam no sistema como se ele fosse apenas assistência. E a excelência internacional da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), na ciência e na tecnologia? Muitos aspectos positivos são pouco ou nada abordados”.

Mídia tendenciosa
Na ocasião, Lumena também aproveitou para criticar a gestão de João Doria (PSDB), na Prefeitura de São Paulo. “Ele tem conseguido fazer uma mágica midiática. Marcou exames para a madrugada quando muitas pessoas sequer conseguiam ir por causa da falta de ônibus neste horário. Então, foi lá e disse que as filas foram zeradas. Mas de que jeito isso foi feito? E quem deixou de ser atendido? Mesmo assim, a mídia vai lá e faz a toda a propaganda”, diz.

Para reforçar o debate sobre o trabalho da mídia tradicional nas narrativas de saúde, a psicóloga relatou ainda sua experiência de trabalho na Cracolândia, na cidade de São Paulo. “A dor dessas pessoas não sai no jornal, assim como os assassinatos de jovens negros nas periferias também não aparecem. Se não fizermos esta disputa, nós continuaremos no discurso da meritocracia”, pontuou.

Para a jornalista Renata Mielli, se por um lado, algumas coisas ficam invisíveis, outras ganham ares de publicidade gratuita, quando o personagem é querido pela mídia.

“O que o prefeito Doria (PSDB), por exemplo, faz com as farmácias é um absurdo, fechar as farmácias das UBS’s (Unidades Básicas de Saúde) para distribuir nas farmácias privadas. Porque na periferia o que tem é UBS e quem mais precisa, o idoso, quem tem dificuldade de locomoção, quem não tem dinheiro para pegar o ônibus, será o maior impactado. Esse é um debate que a mídia ignora, mas que os movimentos sociais têm desenvolvido e lutado para que o SUS resista aos ataques”, disse.
 

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