Os racistas não mais se preocupam em disfarçar seu preconceito

Os racistas não mais se preocupam em disfarçar seu preconceito

Escrito por: Marcos Alves (Escadinha) do SJSP Regional Campinas e Coletivo de Combate ao Racismo da Subsde CUT Campinas Publicado em: 21/03/2016 Publicado em: 21/03/2016

"Cinquenta e seis anos depois, os tiros de Shaperville ainda ecoam e são repetidos nas periferias das grandes cidades brasileiras", escreve Marcos Alves (na foto) - Imagem: Arquivo Pessoal"Cinquenta e seis anos depois, os tiros de Shaperville ainda ecoam e são repetidos nas periferias das grandes cidades brasileiras", escreve Marcos Alves (na foto) - Imagem: Arquivo PessoalNo dia 21 de março de 1960, na cidade de Johanesburgo, capital da África do Sul, 20 mil negros protestavam contra a lei do passe, que os obrigava a portar cartões de identificação, especificando os locais por onde eles podiam circular. No bairro de Shaperville, os manifestantes se depararam com tropas do exército. Mesmo sendo uma manifestação pacífica, os militares atiraram contra a multidão, matando 69 pessoas e ferindo outras 186.

Esta ação ficou conhecida como o Massacre de Shaperville. Em memória à tragédia, a ONU (Organização das Nações Unidas) instituiu 21 de março como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial.

Cinquenta e seis anos depois, os tiros de Shaperville ainda ecoam e são repetidos nas periferias das grandes cidades brasileiras. Novamente, as forças de segurança são protagonistas de um verdadeiro genocídio da juventude negra.

Mais do que um dia de reflexão, que este 21 de março seja um dia de denúncia contra o racismo, que persiste e, agora, de maneira desavergonhada. Os racistas não mais se preocupam em disfarçar seu preconceito. Discriminam à luz do dia e àqueles que denunciam a atitude ignominiosa, ironizam dizendo tratar-se de vitimismo. Não, não é de vitimismo que se trata, mas, de racismo, de preconceito e discriminação.

O empoderamento negro incomoda porque os racistas já não podem mais bradar a suposta supremacia branca. O negro pode. O negro é gerador de conhecimento, de teorias capazes de explicar o mundo. Talvez, por isso mesmo, durante muito tempo o acesso à educação foi vedado aos negros e negras.

Afinal, diante da capacidade de absorção do conhecimento, da capacidade de refletir sobre ele e transformá-lo, demonstrado pelos negros e negras, como sustentar o mito da supremacia intelectual branca?

Como bem lembrou o professor Kabengele Munanga, “o racismo é um crime perfeito no Brasil, porque quem o comete acha que a culpa está na própria vítima. Além do mais, destrói a consciência dos cidadãos brasileiros sobre a questão racial. Nesse sentido, é um crime perfeito”. Façamos, portanto, deste 21 de março um dia de denúncia vigorosa do racismo e da prática de dissimulação dos racistas.
 




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