O Brasil exige das mulheres coragem em defesa dos direitos

O Brasil exige das mulheres coragem em defesa dos direitos

Escrito por: Ana Lúcia Firmino - secretária da Mulher Trabalhadora da CUT São Paulo Publicado em: 02/03/2017 Publicado em: 02/03/2017

As mulheres farão atos no dia 8 de março na capital - Foto: Dino Santos As mulheres farão atos no dia 8 de março na capital - Foto: Dino Santos

Em 2017 comemoramos os 31 anos da criação da Comissão da Questão da Mulher Trabalhadora da CUT e os 100 anos da primeira greve geral no Brasil, um momento decisivo da nossa história.

Naquela ocasião, fábricas e comércios foram paralisados e a classe trabalhadora exigia melhores condições de vida. Um tempo em que a jornada de trabalho era absurda, chegava a 16 horas. E até chegarmos às atuais oito horas foram muitos os enfrentamentos.

Também não havia licença-maternidade, férias e acordos coletivos, regulamentados tempos depois na Constituição Cidadã de 1988. Conquistas que se deram com muita luta. Nem mesmo associações e entidades tinham legitimidade e liberdade de organização sindical e a briga ainda se dava pelo fim da exploração do trabalho de menores de 14 anos.

Lutamos muito para chegarmos até aqui. E, um século depois, um governo de golpistas quer acabar com tudo aquilo que plantamos e colhemos por meio da nossa luta. A carteira assinada, as condições decentes de trabalho e o direito de se aposentar com o mínimo de dignidade estão em risco porque querem que trabalhemos até morrer, de uma maneira em que o patrão é quem dá as cartas.

Neste cenário cruel e avassalador, nós, mulheres trabalhadoras, seremos as mais atingidas, com direitos reduzidos, exploração ainda maior e violência de todas as formas. A dupla ou tripla jornada não terá importância nenhuma e a informalidade com a qual convivemos muito mais do que os homens também serão ignoradas.

Se a reforma trabalhista do golpe acontecer, tudo em nossa vida irá piorar, principalmente para a população pobre. Mais do que nunca, os movimentos sociais e a classe trabalhadora precisam reagir e resistir porque é o nosso presente e o futuro que estão em risco.

É momento de resistir! Somos trabalhadoras em luta contra a reforma da Previdência, contra a violência e por nenhum direito a menos. Seguimos com coragem e esperança em 2017! Nós, mulheres, não recuaremos até termos um Brasil mais justo e livre de desigualdades.

Ana Lúcia Firmino - Secretária da Mulher Trabalhadora da CUT São Paulo

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