No mês da juventude temos que refletir sobre direitos e liberdade

No mês da juventude temos que refletir sobre direitos e liberdade

Escrito por: Cibele Vieira Publicado em: 11/08/2016 Publicado em: 11/08/2016

Estamos vivendo um momento de polarização mundial, acelerado após o estopim da crise econômica em 2008. As disputas por mercados, matérias primas e maximização da mais-valia (diferença entre do valor do salário pago e o valor do trabalho produzido) se acirram na busca pela manutenção das altas taxas de lucro.

Em um primeiro momento, o Brasil driblou a crise internacional investindo em seu potencial interno. A valorização do salário mínimo e aumento do acesso ao crédito incentivou o consumo. Com a produção crescendo, foi possível distribuir renda e gerar empregos, fazendo a economia girar. Quando a crise começou a afetar a produção, na tentativa de direcionar o capital, o governo tenta reduzir o lucro rentista e fomentar a produção industrial, utilizando estatais para reduzir o “custo” de logística como energia elétrica e derivados de petróleo. Porém, como são as mesmas pessoas que investem no sistema financeiro e produtivo, o Brasil enfrentou uma “greve” de investimentos, tornando a estratégia do governo fracassada.

Em 2013, o Brasil passa a vivenciar uma crise política e econômica, que foi se acentuando nos anos seguintes. Acompanhamos –e participamos- das maiores mobilizações populares das últimas décadas no que ficou conhecida como as Jornadas de Junho. Inicialmente com pautas progressistas, pedindo maior presença do Estado na garantia dos direitos, a bandeira da mobilidade urbana tomou as ruas e, após duríssima repressão policial, milhares viraram milhões e a pauta “não são só pelos 20 centavos”, aos poucos, foi tornando as mobilizações difusas e bandeiras novas, incentivadas pela mídia, surgiram.

Após o anúncio da revogação da tarifa pelo poder público, por um equívoco estratégico, a esquerda decidiu mudar o formato das mobilizações e acabou sendo “expulsa” dos atos por uma extrema direita, minoritária, mas muito bem organizada, enquanto que os demais manifestantes gritavam “sem bandeira”.

Em um momento de crise mundial, ficou evidente a fragilidade das ruas como palco exclusivo da esquerda e a disputa política foi aumentando cada vez mais, como no segundo turno das eleições presidenciais de 2014, onde a militância fez a diferença. Conseguimos reeleger Dilma Rousseff ao mesmo tempo em que elegemos o Congresso mais conservador desde a ditadura. De lá pra cá, vimos a Operação Lava-Jato sob a desculpa de combate à corrupção travar de vez a economia e o afastamento de uma presidenta que não possui nenhum crime.

Hoje assistimos um governo, sem legitimidade alguma, encaminhar projetos que atacam direitos conquistados por meio de muita luta. Direitos que irão afetar diretamente os jovens. São ataques em setores da educação, saúde, moradia, ampliação da jornada de trabalho e aposentadoria inalcançável.

Quando, em 1999, a ONU decretou o Dia internacional da Juventude em 12 de agosto -instituída no Brasil em 2002-, a proposta era dar visibilidade à luta por direitos e liberdade, justamente onde estão as principais ameaças caso o golpe continue.

No mundo do trabalho é sempre mais fácil cortar direitos: “daqui pra frente, quem está na empresa tem, mas quem entrar a partir de agora não terá mais” é talvez uma frase recorrente - não que não haja reduções para quem já está empregado também. No Estado, vemos vigente o ajuste fiscal que atinge brutalmente os setores essenciais, principalmente a seguridade social, como seguro desemprego e previdência que atingem diretamente os jovens - sem saídas por aposentadoria, a oferta de empregos cai. No âmbito do Congresso, pautas conservadoras como a redução da maioridade penal, o Estatuto do Nascituro e da Família, fortalecem a visão da repressão e domesticação, ao invés da educação e liberdade.

Resumindo: Querem reduzir o poder do Estado de intervir na economia, do Estado como garantidor dos direitos constitucionais e aumentar o Estado repressivo e controlador da vida e vontades individuais. Estamos vivendo um momento de ruptura e, quando isso acontece, a luta é longa. A última ditadura durou 21 anos. E essa, vamos permitir que dure quanto?
 




Informa CUT-SP

Cadastre-se e receba periodicamente
nossos boletins informativos.