Dança da chuva pode virar a única alternativa à falta de água

Dança da chuva pode virar a única alternativa à falta de água

Escrito por: Adi dos Santos Lima presidente da CUT S Publicado em: 26/08/2014 Publicado em: 26/08/2014

Dez anos depois de renovar a outorga para operar o Sistema Cantareira, a Sabesp e o governo do PSDB não cumpriram as diretrizes do contrato, que incluem ações e investimentos que garantam o atendimento às demandas da população, tanto no que se refere ao fornecimento de água quanto ao tratamento de esgoto. Em vez disso, o prazo para uma nova renovação foi prorrogado até outubro de 2015, sob a justificativa de uma “situação de excepcionalidade da baixa disponibilidade hídrica”.

Já em 2004, quando também havia uma situação de falta de chuvas, o então governador do estado, o mesmo Geraldo Alckmin tomou a mesma “atitude” de agora: jogou a culpa em São Pedro. Assim como há uma década, a palavra racionamento está proibida, embora esteja implantado na prática.

Rezar para chover, porém, é uma desculpa tão irresponsável quanto perigosa, já que o que está em risco é a vida. O que faltou e continua faltando ao governo são ações firmes e transparentes que amenizem o problema, como obras que reduzam a dependência do Sistema Cantareira e o combate eficiente ao grande volume de perda de água, que é bem superior aos 30% admitidos pela própria Sabesp.

A mesma tragédia acontece no que tange ao esgoto doméstico. A empresa trata apenas 64% do que é produzido, lançando os restantes 36% in natura, ou seja, sem tratamento, nos rios, córregos e ribeirões, poluindo impunemente os mananciais de abastecimento da região metropolitana do Estado.

Quando a água é insumo da produção, o desabastecimento coloca o emprego em risco, conforme já anunciaram algumas empresas. Estas, por sua vez, em sua maioria, utilizam água potável, quando o ideal seria lançar mão da água de reuso – de chuva, por exemplo, devidamente armazenada em locais apropriados.

Em outras palavras, a falta de chuva seria o menor dos problemas se houvesse vontade política e uma gestão de recursos típicos de uma empresa que presta um serviço público essencial à vida. Porque recursos existem. O alto preço cobrado pela tarifa se traduz em um faturamento anual de 11 bilhões anuais, com lucros que beiram os R$ 1,9 bilhões, generosamente distribuídos aos acionistas. Possui ações negociadas nas Bolsas de Valores de São Paulo e Nova Iorque.

Portanto, se hoje a população e a indústria paulista – entenda-se emprego – estão seriamente ameaçadas pelo agravamento da crise de abastecimento, a responsabilidade tem nome e endereço: Geraldo Alckmin, do PSDB. O estado mais rico do país não merece esse castigo. A boa notícia é que podemos interromper esse modelo de governar: basta não votar nele. Do contrário, dentro de pouco tempo a única alternativa poderá ser, de fato, fazer a dança da chuva.

Adi dos Santos Lima é presidente da CUT São Paulo
 




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