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CUT SP > PONTO DE VISTA > 57 ANOS DEPOIS, SHAPERVILLE NÃO FOI ESQUECIDO. E JAMAIS SERÁ!

57 anos depois, Shaperville não foi esquecido. E jamais será!

Escrito por: Coletivo de Combate ao Racismo da subsede da CUT Campinas

21/03/2017

A passagem de mais um 21 de março deve ter o objetivo, não só de lembrar deste crime contra a humanidade, mas, também, fazer ver à sociedade as chagas representadas pelo racismo

Arte: Secom/CUT-SP

No dia 21 de novembro de 1969, a Organização das Nações Unidas (ONU) passou a designar o 21 de março como Dia Internacional de Luta pela Discriminação Racial. Foi a forma encontrada para homenagear os 69 mortos – homens, mulheres e crianças negras – e 186 feridos naquilo que passou à história como o massacre de Shaperville. Lembrar para não permitir o esquecimento.

Naquele dia 21 de março, em 1960, nesta localidade, nos subúrbios de Johanesburgo, na África do Sul, 20 mil homens e mulheres, negros e negras, foram as ruas protestar pacificamente contra a chamada Lei do Passe, estabelecida pelo governo do odioso regime do apartheid. O tal passe era uma caderneta, espécie de passaporte, que indicava onde os não brancos podiam ir ou não dentro da sua própria cidade e região. Estrangeiros em seu próprio país.

No bairro de Shaperville, os manifestantes se depararam com tropas do exército. Mesmo sendo uma manifestação pacífica, os militares abriram fogo contra a multidão, matando 69 pessoas e ferindo outras 186. Esta ação ficou conhecida como o Massacre de Shaperville.

Hoje, 57 anos depois, os tiros disparados em Shaperville ainda se fazem ouvir entre nós. Agora, não mais sob a forma de projéteis, mas, da discriminação racial, do racismo e das tentativas de desqualificar a luta dos negros e negros pela igualdade racial. Os racistas perderam a vergonha, saíram do armário e não mais se incomodam em expor publicamente sua forma de pensar e atitude repugnantes.  

A ascensão dos negros e negros à universidade, com o aumento da escolaridade e da qualificação profissional, por meio das chamadas ações afirmativas, a partir de 2003, incomodou àqueles, cujo maior desejo é apagar da história nacional os 388 anos de escravidão. Para eles, o trabalho foi um “pequeno deslize” no processo de construção da nação. O Brasil foi o último país do continente americano a abolir formalmente o trabalho escravo, porém, deixou à margem, entregues à própria sorte (ou falta dela), os antigos seres humanos escravizados. As consequências deste abandono se fazem sentir ainda hoje.

Defender as cotas raciais, por exemplo, vai além das próprias ações afirmativas. Elas, as cotas, devem ser vistas também como uma forma de indenização pelo passado escravocrata do Brasil. É uma forma de compensar o abandono e covardia praticada contra os negros e negras depois da abolição do trabalho escravo.

A passagem de mais um 21 de março deve ter o objetivo, não só de lembrar deste crime contra a humanidade, mas, também, fazer ver à sociedade as chagas representadas pelo racismo e a discriminação racial. E mostrar aos próprios negros e negras que a meritocracia, com a qual os brancos combatem as reivindicações negras, é um embuste; uma forma de fazer com que eles aceitem o perpetuamente da desigualdade racial e social. Pelo mérito continuaremos escravos.

Coletivo de Combate ao Racismo da subsede da CUT Campinas

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