Twitter Facebook YouTube

CUT SP > PONTO DE VISTA > EM MEIO AOS JOGOS OLÍMPICOS, BRASIL DECIDE SE REGRIDE OU AVANÇA NA DEMOCRACIA

Em meio aos jogos olímpicos, Brasil decide se regride ou avança na democracia

Escrito por: Adriana Oliveira Magalhães, secretária de Comunicação da CUT/SP

05/08/2016

No que depender da imprensa tradicional, golpe já foi consolidado

Neste mês, as atenções do mundo estão voltadas ao Rio de Janeiro. Pela primeira vez na história, uma cidade da América do Sul é sede das Olimpíadas, o maior evento esportivo da Terra, que além das competições, celebra a união dos povos de diferentes nacionalidades e culturas. Isso é uma conquista do Brasil.

No entanto, as Olimpíadas ocorrem em momento difícil. Estamos diante de uma das piores crises políticas da história do País, que irá impactar na vida de todos os brasileiros, sobretudo das classes menos favorecidas e populações de minorias.

Neste mês, o Senado decide, a partir de uma investigação totalmente comprometida e parcial, se a presidenta Dilma Rousseff perde definitivamente o cargo que lhe conferido, pela segunda vez, por mais de 54 milhões de brasileiros, sem ter cometido nenhum crime de responsabilidade. E esse assunto, que precisa ter uma discussão aprofundada pela sociedade, irá disputar espaço com o evento esportivo. Acontece que se depender da “nossa” imprensa, o golpe já é uma página virada.

Desde o início dessa crise – ocorrida logo após a não aceitação do resultado das urnas-, os veículos de comunicação de maior audiência atuaram sistematicamente para criar uma imagem criminalizada da população sobre os movimentos sociais, centrais sindicais e políticos do campo da esquerda. Dia após dia, as manchetes não poupavam o governo com notícias baseadas em boatos, sempre ancoradas em fontes anônimas, ou em denúncias sem nenhum tipo de prova.

Após a aprovação do afastamento de Dilma, coube à imprensa estrangeira fazer a denúncia do jogo arquitetado pelos congressistas, setores do empresariado, judiciário e a própria mídia tradicional, que atuou em todos os momentos, dando ampla visibilidade e sendo porta voz dos políticos golpistas.

Quando o presidente ilegítimo Michel Temer (PMDB) assumiu, a mesma imprensa logo tratou de mudar o discurso da crise econômica, que antes era causada por conta de uma “gestão política” e passou a ser creditada a uma crise internacional.

Temer, que conspirou publicamente para chegar ao cargo, não precisou de muito tempo para escancarar a que veio: dar fim a direitos da classe trabalhadora, privatizar todas as empresas públicas e promover o desmonte de importantes conquistas sociais, como o Sistema Único de Saúde (SUS) e programas de educação. Na mídia, pouco se fala sobre esses ataques, de forma a permitir que os brasileiros tenham conhecimento sobre o que lhe serão retirados.

Uma notícia boa é que durante esse período os movimentos e os trabalhadores não se intimidaram e têm saído às ruas para defender seus direitos. Mas com visibilidade somente das mídias e blogs progressistas, essas informações não chegam a todas as pessoas.

Um exemplo disso aconteceu na manhã da sexta-feira, 5 de agosto, em que milhares de manifestantes, movimentos sociais e sindical, realizaram ato em Copacabana (RJ) denunciando o golpe em curso e o ataque aos direitos. Sites de três jornais de grande circulação (Folha, O Globo e Estadão) deram pouca ou nenhuma repercussão das ações. Mas felizmente, com as redes sociais, outros grupos de mídia e jornalistas comprometidos com a informação pudemos ter acesso aos acontecimentos na cidade carioca que foram além dos jogos.

Nosso País não será mais o mesmo depois desse golpe jurídico-midiático, e são as novas gerações que sentirão no futuro as perdas e os danos dos atos dos presentes.
 

  • Imprimir
  • w"E-mail"
  • Compartilhe esta noticia
  • FaceBook
  • Twitter

Conteúdo Relacionado

RÁDIO CUT

CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES DE SÃO PAULO
Rua Caetano Pinto, 575 - 2º andar - Brás - São Paulo - CEP: 03041-000
E-mail: imprensa@cutsp.org.br - Tel.: (11) 3330-2065 / 2108-9167 - Fax: (11) 3203.0886

CUT São Paulo - Copyleft.
É permitida a reprodução, integral ou parcial do conteúdo (áudios, imagens e textos),
desde que citados o nome do autor e da fonte